Golpes digitais em 2026: veja as fraudes que circulam por aí

Mãos digitando rapidamente em um notebook, com efeito de movimento que representa atividades de informática, programação, cibersegurança ou ataques virtuais, ilustrando temas relacionados a golpes digitais, hackers e segurança da informação. Créditos: imagem de Nothing Ahead / Pexels.

A cada ano os criminosos encontram novas maneiras de enganar usuários e roubar dinheiro, dados pessoais e até mesmo identidades digitais. Se há alguns anos os golpes eram relativamente fáceis de identificar, ultimamente a situação tem sido muito mais complexa. O avanço da inteligência artificial e a popularização dos pagamentos instantâneos trouxeram mais facilidade, mas também criaram mais oportunidades para fraudadores desenvolverem ataques extremamente convincentes.

Hoje, uma ligação aparentemente legítima, uma mensagem de WhatsApp enviada por um familiar ou até mesmo uma videochamada, podem ser falsas. Em muitos casos, a vítima só percebe o golpe quando o dinheiro já desapareceu da sua conta bancária.

Por este motivo, entender como funcionam as principais fraudes digitais tornou-se uma medida de proteção tão importante quanto instalar um antivírus ou utilizar senhas fortes.

Neste artigo, você conhecerá cinco golpes digitais perigosos praticados no ano de 2026 e aprenderá medidas práticas para reduzir significativamente os riscos.

Por que os golpes digitais estão mais sofisticados?

Mesmo com os avanços da tecnologia em segurança da informação, é importante entender que os criminosos passaram a utilizar as mesmas tecnologias que as empresas legítimas utilizam para melhorar seus serviços.

Outra grande tendência atual é o crescente poder da IA. Ferramentas de inteligência artificial conseguem criar vozes, imagens e vídeos extremamente realistas em poucos minutos. É fantástico ver que a IA tem avançado de forma exponencial mas, da mesma forma que é utilizada para boas ações, pode também ser usada para atos ilícitos.

Além disso, vazamentos de dados ocorridos nos últimos anos forneceram aos golpistas informações suficientes para personalizar ataques e aumentar a credibilidade das abordagens. Eles utilizam dessas informações para tentar dar credibilidade em seus golpes e enganar com mais facilidade.

O resultado é um cenário em que a engenharia social (técnica de manipulação psicológica utilizada para convencer vítimas a tomar decisões precipitadas) tornou-se ainda mais eficiente.

Imagem de uma tela de computador com a palavra 'Security' (Segurança) em destaque, acompanhada de um ícone de escudo. Um cursor de mão aponta para a palavra, representando a importância da segurança cibernética e proteção de dados online. Imagem: foto de Pixabay / Pexels
Os golpes digitais têm ficado cada vez mais sofisticados e exigem atenção redobrada. Imagem: foto de Pixabay / Pexels

Agora vamos ver 5 tipos de golpes que tem sido praticados utilizando essas tecnologias e como se proteger de cada um deles.

1. Clonagem de voz com inteligência artificial

A clonagem de voz se tornou uma das fraudes mais preocupantes de 2026. Utilizando poucos segundos de áudio retirados de vídeos publicados em redes sociais, mensagens de voz ou vídeos no YouTube, criminosos conseguem criar uma cópia extremamente fiel da voz de uma pessoa utilizando essas técnicas.

O golpe normalmente acontece da seguinte forma:

  • O criminoso clona a voz de um familiar;
  • Faz uma ligação para a vítima;
  • Simula uma emergência;
  • Solicita uma transferência via Pix imediata.

A sensação de urgência faz muitas pessoas agirem por impulso e sem verificar a autenticidade da ligação. Essa é a “brecha” que esses golpistas usam para se aproveitarem de suas vítimas.

Para se proteger, tente seguir essas recomendações:

  • Nunca faça transferências de dinheiro sob pressão emocional;
  • Desligue e retorne a ligação para o número verdadeiro da pessoa (aquele que você tem na sua agenda de contatos);
  • Uma dica é combinar uma palavra-chave secreta entre familiares;
  • Desconfie de pedidos financeiros urgentes.

2. Golpes com vídeo falso (deepfake)

Os vídeos falsos criados por inteligência artificial evoluíram rapidamente. Hoje já existem casos em que criminosos utilizam vídeos manipulados para se passarem por executivos, influenciadores digitais ou parentes próximos.

Em um caso de golpe corporativo, um funcionário recebeu uma chamada de vídeo aparentemente legítima autorizando pagamentos de alto valor. Somente depois descobriu-se que estava falando com uma versão artificial do suposto superior.

Diante desse tipo de situação, tente seguir as seguintes recomendações:

  • Não confie apenas na aparência da pessoa em uma videochamada;
  • Valide solicitações financeiras por outro canal;
  • Utilize processos formais de aprovação para pagamentos;
  • Desconfie de chamadas inesperadas envolvendo dinheiro.

3. Falso suporte técnico de bancos e fintechs

Este continua sendo um dos golpes que mais fazem vítimas. Os criminosos utilizam da credibilidade de instituições financeiras para aplicar golpes se passando pelo time de suporte.

Funciona assim: os criminosos entram em contato por telefone, SMS, WhatsApp ou e-mail afirmando detectar atividades suspeitas na conta bancária da vítima. O objetivo é roubar dados bancários ou obter autorização de transações ou contratações. A partir daí solicitam:

  • Senhas;
  • Tokens;
  • Códigos de autenticação;
  • Transferências para uma suposta “conta segura”.

O detalhe é que muitos golpistas já possuem dados reais das vítimas obtidos em vazamentos anteriores, aumentando a credibilidade da fraude.

No momento em que eu estava escrevendo esta matéria, acabei recebendo uma ligação com uma mensagem dizendo que uma compra havia sido feita no meu cartão virtual. Desliguei e continuei o meu trabalho.

Para se proteger, saiba que:

  • Bancos não pedem senhas por telefone;
  • Nunca compartilhe códigos recebidos por SMS;
  • Encerre a conversa e entre em contato com o banco pelos canais oficiais;
  • Verifique informações diretamente no aplicativo da instituição financeira.

4. Golpes via WhatsApp com sequestro de conta

Mesmo após anos de alertas, o WhatsApp continua sendo uma das plataformas preferidas dos criminosos. O método mais comum envolve convencer a vítima a informar um código de verificação recebido por SMS. Logo depois de obter o código, o criminoso assume o controle total da conta do aplicativo e passa a solicitar dinheiro para familiares e amigos.

Em versões mais sofisticadas, os fraudadores utilizam fotos reais, informações pessoais e até mensagens antigas para tornar o golpe mais convincente.

Para se proteger, siga estas recomendações:

  • Sempre que possível, ative a verificação em duas etapas;
  • Nunca compartilhe códigos recebidos por SMS;
  • Configure um PIN adicional no aplicativo;
  • Informe amigos e familiares caso perca acesso à conta.
Parte da tela de um smartphone mostrando o ícone do WhatsApp
Códigos de confirmação do WhatsApp nunca devem ser enviados a outras pessoas.

5. Falsos investimentos impulsionados por IA

Promessas de lucros rápidos continuam sendo uma das maiores armadilhas da internet. Essas fraudes exploram gatilhos mentais profundos como a urgência, a ganância, o viés de prova social e o desespero financeiro. Nesse cenário, golpistas combinam narrativas persuasivas e com forte pressão para agir rápido. O resultado, o aumento no número de vítimas.

Em 2026 surgiram centenas de plataformas que alegam utilizar inteligência artificial para gerar ganhos automáticos em criptomoedas, ações ou operações financeiras. Muitas delas exibem:

  • Depoimentos falsos;
  • Resultados manipulados;
  • Interfaces sofisticadas;
  • Influenciadores gerados por IA.

O objetivo é convencer investidores iniciantes a depositar dinheiro em plataformas fraudulentas, prometendo retornos rápidos e imediatos. Eles criam a sensação de oportunidade única e o medo de ficar de fora fazem com que essas pessoas sejam enganadas.

Para se proteger, você deve ficar atento e desconfiar de investimentos com retornos exorbitantes. Além disso:

  • Desconfie de promessas de retorno garantido;
  • Pesquise a reputação da empresa;
  • Verifique registros em órgãos reguladores;
  • Nunca invista apenas porque alguém mostrou ganhos extraordinários.

O que fazer se você cair em um golpe digital?

A sensação de ter caído em um golpe é algo desesperador. Contudo há algumas ações que você deve realizar imediatamente após o ocorrido, ou pelo menos, o quanto antes.

  1. Bloqueie imediatamente cartões e contas afetadas;
  2. Altere as senhas de todos os serviços importantes, incluindo e-mails;
  3. Ative ou reconfigure a autenticação em dois fatores;
  4. Registre um boletim de ocorrência. Muitas pessoas não se dão conta do quão importante é registrar a ocorrência em uma delegacia de polícia;
  5. Comunique o banco ou instituição financeira o mais rápido possível;
  6. Avise familiares e contatos para que não caiam em golpes usando sua identidade;
  7. Monitore seu CPF e seus dados em serviços de proteção ao crédito.

Como criar uma rotina de proteção digital

Além de ficar informado e conhecer a dinâmica desses golpes, algumas medidas ajudam a aumentar significativamente sua segurança, como essas:

  • Utilize senhas únicas para cada serviço;
  • Ative autenticação em dois fatores sempre que possível;
  • Mantenha seu celular e computador atualizados;
  • Evite clicar em links recebidos sem solicitação;
  • Revise periodicamente suas configurações de privacidade nas plataformas digitais;
  • Desconfie de qualquer pedido financeiro urgente em ligações.

Certamente os golpes digitais estão mais sofisticados do que nunca. A boa notícia é que a maioria desses ataques ainda depende de um fator essencial, que é convencer a vítima a agir sem verificar as informações.

Por fim, desenvolver hábitos de segurança digital, confirmar solicitações por canais alternativos e desconfiar de situações que envolvam urgência, continuam sendo a melhor forma de proteção. Ou seja, informação e cautela são as ferramentas mais eficazes para manter seus dados e seu dinheiro seguros.

Fontes: com informações de CNN, Exame, Uol, InvestNews. Imagem de capa: Nothing Ahead / Pexels.